“Fred”

Caso você entenda inlês, sugiro que leia esse texto na língua na qual foi originalmente escrito.

É verdade que a televisão estava ligada e que, dentro dela, essas pessoas que chamamos de celebridades estavam falando sobre os assuntos que menos interessavam a Fred. Mesmo assim, sua mente se ocupava com uma coisa. Uma única coisa. Uma pequena coisa. Uma única pequena coisa.

É bom interromper essa abordagem antes que ela comece a se arrastar demais. Por isso uma explicação se faz necessária nesse ponto. E não é de se admirar que essa explicação seja sobre o funcionamento do televisor. A maneira mais simples de ver as coisas é: a t.v. consiste em uma tela sensível a elétrons e um canhão desses últimos (i.e. elétrons). Conforme o canhão ejeta elétrons, esses desgraçados de vida curta atingem a tela um por um e são transformados em luz que é, inevitavelmente, emitida em direção a quem quer que esteja sentado em frente a todo esse maravilhoso aparato (não que seja possível sentar em frente a uma parte do aparato, a menos que ele esteja desmontado; mas isso não importa agora). O que realmente importa é que essa tela é feita de tal forma que é dividida em vários pequenos quadrados, cada um com uma certa cor, desenhados especificamente para serem atingidos pelos elétrons mencionados anteriormente. Esses pequenos quadrados são, por uma razão não importante agora, chamados pixels.

E era exatamente isso que prendia toda a atenção de Fred: um único pixel na sua televisão. Nem os inquestionavelmente altos sons, vozes, música ou os eventuais burricos selvagens podiam atrapalhar sua concentração. Não mesmo.

Conforme ele olhava para esse pixel específico ele podia ver como ele ligava e desligava, como ele rapidamente mudava, como, por nenhum motivo aparente, ele fazia todas essas coisas sem nem ter que pensar sobre elas.

E isso, pensava Fred, ainda fixando sua sua inabalável atenção naquele pixel, era realmente algo a se pensar. Realmente era.

Esse curtíssimo conto é parte de uma série de contos nunca antes publicada (e, provavelmente, inpublicável) simplesmente pois foram escritos, serialmente, por ninguém menos que eu (que nunca se deu ao trabalho de publicá-los).

rhwinter, 9 de April de 2007
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